segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Bons filmes - dica da semana

Prá quem ainda não assistiu, recomendo.
Estrelado por Dennis Quaid, este filme é daqueles que prendem a atenção do início ao fim. Prato cheio prá quem gosta de enredos que trabalham com viagens no tempo e afins. Além disso, tem uma pitada de suspense e momentos emocionantes.  Alta Frequência (Frequency) conta a história de John, cujo pai era bombeiro e falecera em um incêndio, há 30 anos. Uma conjugação de eventos atmosféricos e uma aurora boreal incomum acabam gerando uma fenda que permite uma conexão de rádio com ondas do passado - 30 anos antes. E, do outro lado da linha,  Jhon se depara com seu próprio pai, com quem consegue falar. A partir daí, uma sucessão de situações de prender o fôlego, com um final não menos surpreendente. Filme classificado entre os 40 melhores da Netflix. ☆☆☆☆☆
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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

CASCATA DO TIGRE - MACHADINHO

  CASCATA DO TIGRE. Atração turística de Machadinho. Situado a cerca de 7 Km da cidade, com acesso por estrada de terra geralmente bem conservada,  é um local muito arborizado, com vegetação nativa da mata atlântica. A infraestrutura é mínima, mas é possível fazer um ótimo passeio através das trilhas protegidas pela sombra de árvores de médio e grande porte. Uma escadaria rústica conduz ao pé da cachoeira, numa descida  tranquila, com segurança. Existe um acesso pelas escadarias que leva até a "Caverna do Tigre", que fica atrás da cachoeira. É possível sentar-se nos bancos de madeira para apreciar a bela paisagem, enquanto desfruta-se do frescor proporcionado pelo spray das águas da cascata, conjugado com a sombra e o próprio ambiente da caverna. A cascata forma-se a partir de um paredão por onde as águas do Rio Tigre despencam de uma altura de cerca de 30m. A visão da cachoeira é fantástica. O pequeno parque é atendido por um casal, que além de indicar os melhores pontos de visitação, aproveita para inteirar os visitantes da história desse ponto turístico interessante.  Na subida, retornando pelas escadarias, existe um quiosque que oferece bebidas geladas, lanches e sorvetes - muito apropriado para quem chega de volta ofegante, porém certamente satisfeito pela visita. Machadinho tem águas termais e muito mais. 

terça-feira, 18 de julho de 2017

Com a chegada(tardia) do inverno de 2017, volto a publicar a minha "Crônica do Inverno", atendendo a alguns pedidos:




CRÔNICA DO INVERNO...  

                (Junho/2011)
                
 

                     Ah! O Inverno!
                Finalmente esfriou, anunciando noites geladas, manhãs brancas e tardes que convidam para banhos de sol  que ajudam a aquecer o corpo escondido sob  as  grossas camadas de roupas de lã.
                 Gaúcho que não gosta de inverno deveria mudar-se para outras terras, pois certamente  deve ser  infeliz  de Maio a Setembro, pelo menos. Não gostar de inverno tendo nascido no Sul é no mínimo um contra-senso.
                    Afinal, é apenas nesta latitude que  temos o privilégio de conviver com as quatro estações do ano de forma bem marcante, parecido com o que experimentam os irmãos do hemisfério Norte. E só nós podemos nos gabar dessa condição para nossos patrícios do resto do Brasil. Do Rio Grande ao Paraná – aliás, região povoada de gaúchos – somos brindados pela natureza com a possibilidade de experimentarmos  o frio e o calor com todas as suas nuances.  Só nós, sulistas, temos a chance de irmos da praia à neve  em menos de 90 dias. Sim, porque em pleno mês de Março ainda estamos no litoral,  para logo ali, no mês de Junho, estarmos curtindo temperaturas negativas.
                   Na verdade,  a nostalgia que permeia as longas e geladas noites  da estação me traz à tona  recordações de infância, de uma época em que a vida rodava com vagar e se deixava curtir em seus detalhes,  fazendo  o pêndulo do tempo oscilar pesadamente e tolhendo-nos a percepção das horas e dos dias.
                    Inverno lembra fumaça saindo das chaminés de lareiras e fogões a lenha; lembra ambientes aconchegantes e rodas de chimarrão permeadas por intermináveis  bate-papos sobre a vida e o viver; lembra goles de “graspa” prá “esquentar o couro” e pequenas núvens de vapor saindo de bocas e narizes arrocheados pela baixa temperatura.  
                  Faz lembrar dos filós na vizinhança,   do meu pai jogando cartas com os amigos e dos copos de vinho tinto sendo degustados entre punhados de pipoca e amendoim torrado;  das fogueiras  e festas de São João  quando se vendia “cartucho”, quentão e pé-de-moleque.
                Inverno lembra bergamota colhida no pé e degustada por entre as réstias de sol; lembra “chinelos-de-dedo” esmagando a geada crocante nas ruas barrentas da minha Paim Filho, lá em meados dos anos 70; lembra homens a cavalo com seus ponchos sebentos  cobrindo os dois, debaixo da garoa fria .
                O inverno me traz a nostalgia dos jogos de futebol no “campinho do Chuí”, por sobre a grama ressecada pela geada , e lembra dos foguinhos que ateávamos àquela grama para  aquecer nossos pés enregelados  nas tardes  de Julho;  lembra pinhão na brasa e meninas mergulhadas em cachecóis e blusões coloridos tricotados pelas próprias mães;  lembra a “caixa-de-lenha” atrás do fogão – lugar mais disputado nas noites congelantes da estação. E poças d’água congeladas pela geada. Cerração. E até neve, vez por outra.               
                Eu tenho que assumir:  sou apaixonado pelo inverno.   Não que não curta o verão, que tem lá seus atrativos, mas fico contando os dias até a chegada da primeira massa de ar polar a cruzar as fronteiras da Argentina. E quando escuto a previsão do tempo anunciando a chegada do primeiro frio,  já fico com outro astral. E então, quando o primeiro casaco é tirado do guarda-roupa e o primeiro cobertor é jogado sobre a cama, deixo-me levar pela nostalgia  e permito ao meu cérebro que divague por entre as lembranças de momentos que nunca mais voltarão, mas que eu tive o privilégio de viver.
              Mas, pensando bem...você aí, friorento,  também não acha um privilégio ter nascido no sul ???      
               
                 
·         Marco Antônio Schneider Arsego

quarta-feira, 28 de junho de 2017

O RETORNO, 20 ANOS DEPOIS

          Em busca de ascensão na carreira, deixei Paim Filho, minha terra natal, em Janeiro de 1997, após 33 anos de intensa atividade comunitária.
      O destino me agradava, considerando que minha primeira gerência no Banrisul aconteceria a menos de 30 Km de distância, na vizinha cidade de Machadinho.  Nem essa proximidade, no entanto, era capaz de arrefecer meu apego à cidade onde nasci, vivi minha infância e adolescência, casei, vi minhas filhas nascerem e onde participei ativamente das principais atividades e entidades locais. 
            Saí de lá em 13 de Janeiro de 1997.
          Poucos dias depois, minha família me acompanharia naquela que seria mais uma das 14 mudanças que contabilizei após o casamento.
        Lembro perfeitamente que ao entrar no carro para acompanhar o caminhão que levava meus pertences, voltei o rosto para trás, contemplei a pequena casa que havíamos construído para fugir do aluguel e que mal havíamos terminado de pagar e murmurei, meio choroso,  para mim mesmo: "20 anos. Em 20 anos eu volto." 
         Demorei  para me acostumar a não estar mais morando na minha terra. Todos os finais de semana eu juntava filhas e esposa e rumava para Paim Filho. Entre feliz pela nova condição financeira e triste por não estar mais lá, fui deixando as coisas acontecerem. 
            E a roda foi girando. 
           De Machadinho, onde fiquei por 2 anos e meio, fui para Cacique Doble, onde fiquei  4 anos. Mais 4 anos em São José do Ouro, 2 anos em Sananduva, 3 anos em Tapejara, 2 anos em Veranópolis e, finalmente, 3 anos em Nova Prata, onde acabei me aposentando, em Março deste ano.
           De 1997 a 2017 passaram-se exatamente...20 anos.
           Não parece que  profetizei meu retorno?
       Acabei não retornando exatamente para minha terra natal, como era meu desejo inicial. 
            No entanto, o que eu mais queria era voltar para a minha região de origem .
            A escolha de Machadinho se deu por circunstâncias ocorridas ao longo do tempo.
            Como eu disse, a roda girou.
            Minhas filhas cresceram, formaram-se, casaram.
           Uma delas mora em Machadinho há vários anos. E é mãe do meu primeiro neto. a outra, mora em Campos Novos, pertinho daqui. Os pais da minha esposa moram no interior de Machadinho. E a cidade virou atração turística, com as Thermas. Além disso, o asfalto chegou. Hoje, com 20 minutos posso estar em Paim Filho, se quiser. Tenho ido com menos frequência pelo fato de minha família ter se mudado para a região da serra.
           Mas o melhor de tudo é poder estar de volta à nossa pequena região no finalzinho dos Campos de Cima da Serra.
          Cultivamos aqui um jeito de viver  todo nosso, com nossos divertimentos, nossos anseios, nossos orgulhos,  que, salvo pequenas peculiaridades de cada cidade, são muito parecidos.
           Somos uma população alegre, que interage constantemente. Uma festa de capela em Cacique Doble recebe visitantes de Paim, São José, Machadinho... Disputamos jogos de futebol, bocha, bolão com as cidades vizinhas...Conhecemos pessoas de todas as cidades e quando morre alguém, não raro a comoção atinge a região toda...Pessoas de São José são donas de terras  em Machadinho, pessoas de Machadinho possuem terras em Maximiliano de Almeida, gente de Maximiliano tem terras em Paim Filho...
            Somos solidários, muito religiosos, receptivos, acolhedores.
          Já fomos chamados inapropriadamente de "Volta da Fome", fruto de um tempo em que o asfalto mais próximo ficava em Lagoa Vermelha. Não é mais assim. Há muito tempo.        Hoje sabemos o quanto é rica nossa microrregião. Seja na economia, seja na tranquilidade, seja na amizade, seja na religiosidade. Ou na nossa fala sui generis, nas nossas expressões regionais. Ou na felicidade que reina soberana nesse cantinho do Brasil.
             Tinha como eu não retornar?    

  
             

terça-feira, 27 de junho de 2017